Saúde

Justiça bloqueia R$ 6 milhões de plano de saúde para compra do Zolgensma ao menino Léo, de Santa Clara do Sul

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 6 milhões de um plano de saúde para garantir a compra do Zolgensma para Leonardo Wolschick Soares, o menino Léo, de Santa Clara do Sul, no Vale do Taquari. A decisão representa um avanço decisivo na batalha judicial da família para salvar a vida do filho, diagnosticado com Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 2.

O prazo é crítico: Léo completa dois anos em 22 de agosto de 2026, e o Zolgensma — considerado o medicamento mais caro do mundo, avaliado em cerca de R$ 8,66 milhões — precisa ser aplicado antes dessa data para ter a eficácia esperada. O processo de importação do remédio leva aproximadamente dez dias.

Corrida contra o tempo

A família vinha travando uma batalha em duas frentes: uma campanha de arrecadação popular e uma ação judicial. A campanha, encerrada em 12 de agosto, reuniu R$ 3,4 milhões — pouco menos da metade do valor total necessário. O restante dependia de uma decisão favorável da Justiça.

O caminho judicial não foi simples. Em julho de 2026, um pedido inicial foi negado. A família recorreu e obteve uma liminar determinando o fornecimento do medicamento em até dez dias, mas o governo federal contestou a decisão. O caso chegou à segunda instância, com a família aguardando uma definição até o fim da semana passada.

O que é o Zolgensma

O Zolgensma (onasemnogeno abeparvoveque) é uma terapia gênica indicada para crianças com AME. O medicamento foi incorporado ao rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em fevereiro de 2023, obrigando planos de saúde a cobrirem o tratamento para crianças com AME tipo 1 de até seis meses. O caso de Léo, com AME tipo 2 e quase dois anos, exigiu a via judicial para forçar o custeio.

A AME é uma doença genética rara que afeta os neurônios motores responsáveis pelo controle muscular. Sem tratamento, a progressão da doença compromete a capacidade de movimento, respiração e deglutição.

Mobilização regional

O caso mobilizou o Vale do Taquari nos últimos meses. Em 27 de julho, a família organizou uma manifestação em Porto Alegre cobrando agilidade da Justiça. Em 11 de agosto, uma corrente de oração reuniu moradores de Santa Clara do Sul. A repercussão nacional levou veículos como CNN Brasil e Jovem Pan a cobrirem o caso.

Com o bloqueio judicial dos R$ 6 milhões e os R$ 3,4 milhões arrecadados pela campanha, a família se aproxima do valor total necessário para a compra do medicamento — mas o tempo segue sendo o maior obstáculo.

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