Infantino nega interferência após ligação de Trump sobre cartão vermelho de jogador dos EUA

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, negou interferência política na decisão que suspendeu a punição automática ao atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. Ele confirmou ter recebido ligação de Donald Trump, mas afirmou que o caso foi decidido pelos órgãos disciplinares da entidade.
A polêmica envolve o cartão vermelho aplicado a Balogun na partida contra a Bósnia-Herzegovina, pela Copa do Mundo. O atacante havia sido expulso pelo árbitro brasileiro Raphael Claus, aos 18 minutos do segundo tempo, após revisão no VAR por um pisão no tornozelo de Muharemovic.
Infantino defende autonomia da Fifa
Após Trump admitir que pediu a revisão do cartão vermelho, Infantino afirmou que apenas informou ao presidente norte-americano que havia um processo legal em andamento no Comitê Disciplinar da Fifa.
Em comunicado, o dirigente disse que os órgãos judiciais da entidade são independentes e atuam de forma autônoma. Ele também afirmou que toma conhecimento das decisões quando elas são publicadas e que, mesmo quando discorda, respeita a autonomia dos responsáveis pelos julgamentos.
A decisão da Fifa suspendeu por um ano, em período probatório, a aplicação da punição automática de um jogo. Com isso, Balogun foi liberado para enfrentar a Bélgica nesta segunda-feira, 6 de julho, pelas oitavas de final da Copa do Mundo.
Trump diz que pediu apenas revisão
Questionado sobre o caso em entrevista no Salão Oval da Casa Branca, Trump afirmou que não considerou justa a expulsão e disse ter solicitado apenas que a Fifa revisasse o lance.
O presidente dos Estados Unidos negou ter ordenado qualquer decisão à entidade. Segundo ele, o comitê tomou a decisão correta ao permitir a presença de Balogun na partida.
Trump também criticou a atuação do árbitro brasileiro Raphael Claus e fez insinuações sobre o histórico do juiz, sem apresentar provas no trecho relatado pelo texto de referência.
No domingo, 5, Trump já havia comemorado a decisão da Fifa nas redes sociais, agradecendo à entidade por “reverter uma grande injustiça”.
Bélgica contesta liberação
A Federação Belga de Futebol cobrou explicações da Fifa e informou que contestaria a elegibilidade de Balogun para a partida. A entidade alegou que não havia recebido a decisão formal nem explicações sobre o caso.
Os belgas argumentam que o Código Disciplinar da Fifa prevê suspensão automática para o jogo seguinte em caso de cartão vermelho. A federação também citou o regulamento da Copa do Mundo de 2026 e afirmou que a regra teria sido reafirmada pela Fifa antes das partidas do torneio.
A Fifa rejeitou a contestação da Bélgica e manteve Balogun liberado para atuar contra os belgas.
Uefa critica decisão
A decisão também gerou críticas da Uefa, que classificou a medida como uma quebra de limite na condução disciplinar do torneio. A entidade europeia afirmou que a suspensão da punição automática por período probatório abriu questionamentos sobre a consistência das regras durante a Copa.
O caso ampliou a pressão sobre a Fifa em meio à reta final do Mundial, especialmente por envolver o país-sede e uma manifestação pública do presidente norte-americano antes da decisão disciplinar.






