Gato-palheiro-pampeano entra na lista nacional da fauna criticamente ameaçada

O gato-palheiro-pampeano (Leopardus munoai), conhecido como ‘Fantasma dos Pampas’, foi oficialmente classificado como ‘Criticamente em Perigo’ na lista nacional da fauna ameaçada. Com uma população estimada em apenas 250 indivíduos, a espécie restrita aos campos nativos do Pampa gaúcho perdeu cerca de 25% de seu habitat natural nos últimos 15 anos.
O felino, que é um dos mais raros do mundo, enfrenta um cenário crítico de sobrevivência. Levantamentos realizados pelo projeto Felinos do Pampa indicam que o avanço da agricultura e da silvicultura reduziu drasticamente as áreas naturais essenciais para o animal.
Perda de habitat e avanço agrícola
Enquanto o habitat do gato-palheiro encolheu mais de 25% em pouco mais de uma década, as áreas destinadas ao cultivo de soja e ao plantio de florestas comerciais cresceram aproximadamente 30%, substituindo os campos nativos que garantem alimento, abrigo e reprodução da espécie. A situação é ainda mais preocupante porque menos de 1% das áreas consideradas ideais para o felino estão protegidas por unidades de conservação.
O Pampa, também conhecido como Campos Sulinos, ocupa cerca de 63% do território gaúcho e representa o único bioma exclusivamente brasileiro onde a espécie ocorre. É nesse ambiente que o gato-palheiro-pampeano encontra as condições necessárias para sobreviver, especialmente nas áreas de pecuária tradicional em campo nativo, consideradas fundamentais para sua conservação.
Outras ameaças e esforços de conservação
Além da redução do habitat, o felino enfrenta diversas outras ameaças. Entre elas estão atropelamentos em rodovias, ataques de cães domésticos, incêndios utilizados no manejo de pastagens e a caça por retaliação, quando o animal é responsabilizado por ataques a pequenos animais de criação.
Especialistas trabalham em diferentes frentes para tentar reverter o quadro. As ações incluem a instalação de sinalização em trechos com maior ocorrência de atropelamentos, campanhas de vacinação de animais domésticos para evitar a transmissão de doenças aos felinos silvestres e programas de conscientização junto a produtores rurais. No entanto, os pesquisadores apontam que a preservação dos campos nativos continua sendo a principal medida para garantir a sobrevivência do gato-palheiro-pampeano.






