Política

Janja declara ‘total solidariedade’ a Michelle e Damares por ofensas machistas

A primeira-dama Janja Lula da Silva declarou, nesta segunda-feira (13), solidariedade à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e à senadora Damares Alves (Republicanos-DF) em entrevista ao programa Frente a Frente, do Canal UOL. As duas têm sido alvo de ofensas desde que Michelle tornou pública uma crise com seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Total solidariedade a elas. Eu acho que qualquer mulher agredida, a gente não pode soltar a mão. Não importa qual é o campo ideológico dela.”

Janja afirmou que a misoginia não tem lado político.

“A questão da violência contra a mulher, a misoginia, ela não tem lado. Ela não tem direita nem esquerda, conservadora ou progressista. É uma onda que vem de todos os lados e atinge a todas nós igualmente.”

Origem dos ataques

As ofensas tiveram início após Michelle publicar, em 24 de junho, um vídeo de 27 minutos nas redes sociais em que afirmou ter sido “humilhada” e “maltratada” por Flávio Bolsonaro. O senador pediu desculpas, mas a tensão gerou novos episódios públicos. Na última semana, Flávio divulgou uma carta manuscrita de Jair Bolsonaro pedindo apoio a ele nas eleições — o que levou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, a proibir por 90 dias as visitas do filho ao pai.

Damares, principal aliada de Michelle no episódio, relatou em reunião da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado ter recebido ameaças graves.

“Disseram que vão matar minha filha. Inclusive eles fazem imagens de como vão matar a minha filha. A minha filha é uma menina indígena. E eles simulam imagens que estão empalando a minha filha, que estão decapitando ela.”

A senadora também afirmou ter sido chamada de “leviana” e “vagabunda” e que lhe atribuíram um amante.

Alerta e PL da Misoginia

Apesar da solidariedade, Janja fez uma ressalva às duas. “Acho que é importante que elas tenham entendido que nada do que a gente fala é mimimi”, disse a primeira-dama. Ela também avaliou que o episódio pode ter sensibilizado mulheres conservadoras para o tema da violência de gênero.

“43% das mulheres vítimas de violência são evangélicas. Isso é algo que precisamos falar, não estamos falando de religião, se você reza ou não, todas nós podemos ser vítimas nesse momento.”

Janja defendeu a aprovação do PL que criminaliza atos de misoginia, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, e citou o Pacto Nacional do Feminicídio como referência para sua posição. A primeira-dama também mencionou ter apoiado a ex-ministra Anielle Franco após a denúncia de assédio contra o ex-ministro Silvio Almeida, afirmando que não precisou deliberar para tomar partido de uma mulher vítima de assédio.

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