Física Sabrina Pasterski estuda teoria que questiona a forma como entendemos o universo

A física teórica Sabrina Gonzalez Pasterski, nascida em 1993, atua no Instituto Perimeter, no Canadá, em uma das áreas mais complexas da ciência atual. Seu trabalho envolve a chamada holografia celeste, linha de pesquisa que investiga novas formas de descrever o universo.
A teoria parte de uma ideia difícil até para a própria física: fenômenos observados em quatro dimensões — três de espaço e uma de tempo — podem ter relação com informações organizadas em uma estrutura de menor dimensão, associada à “borda” do espaço-tempo.
Pasterski é pesquisadora de física de altas energias e integra o corpo docente do Perimeter Institute for Theoretical Physics. Segundo a instituição, sua trajetória inclui doutorado em Harvard, pós-doutorado em Princeton e pesquisas sobre simetrias, gravidade e efeitos de memória em teorias físicas.
Teoria busca aproximar áreas da física
A holografia celeste ganhou espaço por tentar aplicar o chamado princípio holográfico a cenários mais parecidos com o universo em que vivemos. O objetivo é construir uma linguagem capaz de conectar a gravidade, a física quântica e fenômenos de altas energias.
Em termos simples, a hipótese sugere que parte da realidade observada no espaço pode ser descrita por informações localizadas em uma superfície limite. A ideia não significa que o universo seja “falso”, mas propõe uma nova forma matemática de explicar como suas leis podem funcionar.
A pesquisa ainda é teórica e não representa uma conclusão definitiva sobre a natureza da realidade. Mesmo assim, o tema chama atenção porque pode ajudar cientistas a lidar com uma das maiores dificuldades da física: unir a relatividade geral, usada para explicar a gravidade, com a mecânica quântica, que descreve o comportamento das partículas.
Trajetória chamou atenção internacional
Antes de se dedicar à física teórica, Pasterski ficou conhecida por sua ligação com a aviação. Reportagens internacionais destacam que ela construiu uma aeronave ainda adolescente e depois se formou em física pelo MIT.
Seu nome também passou a circular em publicações de ciência e tecnologia por trabalhos citados em pesquisas sobre gravidade e buracos negros. Apesar da repercussão, a pesquisadora mantém atuação voltada à investigação teórica, especialmente em temas ligados ao espaço, ao tempo e à gravidade.
A holografia celeste segue como um campo em desenvolvimento. Por enquanto, trata-se de uma tentativa matemática de compreender melhor o universo — não de uma prova de que a realidade é uma ilusão.






