Esporte

Aos 101 anos, Darciza conhece o Beira-Rio pela primeira vez

Aos 101 anos, Darciza de Bona finalmente esteve diante do lugar que, durante décadas, acompanhou à distância pelo rádio, pela televisão e pelas histórias compartilhadas com familiares e amigos: o Beira-Rio.

Moradora de Taquaruçu do Sul, a cerca de 420 quilômetros de Porto Alegre, a colorada conheceu pela primeira vez o estádio do clube do coração no último sábado (22). O momento, que durante muitos anos permaneceu como um sonho, tornou-se realidade em uma noite marcada pela emoção.

Darciza acompanha o Internacional desde a infância. Ao longo da vida, viu o clube atravessar diferentes períodos, comemorou conquistas e também enfrentou as derrotas ao lado da paixão pelo time.

A relação com o futebol também esteve presente dentro da própria família. Seu marido, Carmelindo, era gremista, e os nove filhos acabaram divididos entre os dois grandes clubes do Rio Grande do Sul.

Apesar de acompanhar o Inter por tantos anos, Darciza ainda não havia tido a oportunidade de conhecer pessoalmente o estádio onde tantas histórias do clube foram vividas.

A chance surgiu com um convite da área Coração do Gigante.

Ao chegar ao camarote 464, Darciza subiu os dois degraus da entrada e teve diante dos olhos uma imagem que conhecia apenas pelas transmissões: o gramado do Beira-Rio.

A reação foi imediata.

— Estou realizando meu sonho — afirmou.

Aos 101 anos, Darciza tem apenas 16 anos a menos que o Internacional. Quando nasceu, em um período em que o clube ainda vivia a fase do amadorismo, o cenário do futebol gaúcho era muito diferente do atual.

Entre as lembranças que carrega está a conquista do Mundial de 2006. Na época, Darciza tinha 81 anos e acompanhou a campanha que terminou com o título mundial do Inter.

Também guarda na memória jogadores que marcaram diferentes gerações de torcedores, entre eles Andrés D’Alessandro, um dos ídolos mais recentes que acompanhou.

Mas a visita ao Beira-Rio não terminou no gramado.

Depois de conhecer o estádio, Darciza seguiu para outro momento especial da noite. Recebeu um crachá, passou por outro acesso e chegou à cabine número 5, onde funciona a transmissão da Gaúcha.

Para quem passou boa parte da vida acompanhando o Inter pelo rádio, estar no local de onde saem as transmissões representou uma experiência diferente.

Darciza pôde conhecer pessoalmente algumas das vozes que, durante tantos anos, chegaram até sua casa através do rádio.

E havia ainda uma ligação familiar naquele encontro.

Ao chegar à cabine, Darciza falou ao microfone conduzido pelo narrador Marcelo de Bona.

Marcelo é seu neto.

A coincidência tornou a noite ainda mais especial para a família. O rádio, que durante tantos anos ajudou Darciza a acompanhar o time do coração, agora fazia parte de uma lembrança vivida dentro do próprio Beira-Rio.

Aos 101 anos, ela também mantém uma rotina que valoriza pequenas coisas do cotidiano. Diz não ter um segredo específico para a longevidade, mas gosta de acordar cedo, manter-se ativa, jogar cartas, tomar vinho com moderação e estar próxima da família.

Depois de mais de um século de vida e décadas acompanhando o Internacional à distância, Darciza finalmente teve a oportunidade de conhecer o palco que tantas vezes imaginou.

Naquela noite, o resultado dentro de campo ficou em segundo plano.

Para a colorada de Taquaruçu do Sul, estar no Beira-Rio aos 101 anos já era, por si só, uma conquista.

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