Economia

Coreia do Sul mobiliza arbitragem de emergência para evitar greve na Samsung

O governo da Coreia do Sul mobilizou todas as ferramentas disponíveis para evitar uma greve trabalhista na Samsung Electronics, maior empregadora do país e responsável por quase um quarto das exportações nacionais. O primeiro-ministro Kim Min-seok anunciou no domingo (17 de maio) que considerará arbitragem de emergência e outras medidas para minimizar danos à economia.

A empresa e seu sindicato sul-coreano retomaram negociações salariais na segunda-feira com mediador do governo, em tentativa de aliviar tensões antes do prazo para greve. O sindicato havia mantido, na sexta-feira (15), o compromisso com paralisação de 18 dias a partir de 21 de maio, envolvendo mais de 50 mil trabalhadores.

Impacto econômico alarmante

O governo quantificou os riscos: um único dia de suspensão nas fábricas de semicondutores custaria até 1 trilhão de won (US$ 667,68 milhões) em perdas diretas. Mas a maior preocupação é o efeito cascata. Segundo Kim Min-seok, uma pausa temporária nas linhas de fabricação leva a meses de inatividade, com potencial de danos econômicos chegando a 100 trilhões de won (US$ 66,7 bilhões) se materiais precisarem ser descartados.

Negociações fracassadas e tensão no mercado

As negociações mediadas pelo governo sobre esquemas de pagamento e bônus fracassaram na semana anterior, aumentando preocupações sobre a paralisação. O sindicato, irritado com a diferença no pagamento de bônus com a rival SK Hynix, disse que só retomaria conversas após 7 de junho — mantendo a greve como arma de pressão.

A incerteza já afeta o mercado: as ações da Samsung caíram até 9,3% após o anúncio da manutenção da greve. Analistas da NH Investment & Securities alertam para preocupações crescentes sobre confiabilidade de entregas e possibilidade de rivais se beneficiarem da incerteza.

Governo em alerta máximo

Autoridades sul-coreanas, incluindo o ministro da indústria Kim Jung-kwan, alertaram que uma greve causaria danos irreparáveis à economia, exportações e mercados financeiros. O ministro do trabalho, Kim Young-hoon, enfatizou a necessidade de diálogo urgente. Segundo legislação local, apenas o ministro do trabalho pode invocar poderes de arbitragem de emergência.

A Samsung pediu desculpas ao público e governo pela discórdia, prometendo abordar negociações com atitude aberta e enviou executivos ao campus de Pyeongtaek para encontro com liderança sindical.

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