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Júri condena Helinho Hennika e Bruno Cassanelli em Encantado; penas ultrapassam 50 anos

Hélio Henrique Santos Hennika condenado a 51 anos e Bruno Cassanelli a 43 anos em Encantado

Júri durou mais de 20 horas por tentativa de feminicídio, sequestro e estupro coletivo

Crime ocorreu em estúdio de rádio na Vila Moça contra jovem de 24 anos

Dois homens foram levados a julgamento pelo Tribunal do Júri nesta segunda-feira, dia 27, no Fórum de Encantado, acusados de crimes graves contra uma jovem de 24 anos. A sessão, iniciada às 9h, se estendeu ao longo de todo o dia e avançou pela madrugada de terça-feira.

Sentaram no banco dos réus Hélio Henrique Santos Hennika, de 36 anos, e Bruno Cassanelli, de 26. Ambos respondem por tentativa de feminicídio qualificada, sequestro e estupro coletivo. Hennika também é acusado de violação de domicílio e da prática de tortura.

O julgamento foi presidido pela juíza Vanessa Azevedo Bento, com atuação do promotor de Justiça Heráclito Mota Barreto Neto na acusação. A defesa de Hennika foi conduzida pelos advogados Israel de Borba, Sandra Pinheiro e Caroline Toigo, enquanto Bruno Cassanelli foi defendido pela advogada criminalista Cíntia Fernandes. O Conselho de Sentença foi formado por sete mulheres.

O crime

O crime ocorreu na Rua da Antena, no bairro Vila Moça, onde, segundo a acusação, a vítima foi mantida em cárcere privado por horas, submetida a agressões físicas e violência sexual.

Defesa questiona provas e nega intenção de matar

Durante os debates, as defesas centraram suas argumentações na fragilidade das provas, sustentando que a acusação se baseia essencialmente no relato da vítima.

“Se tirar a palavra da vítima, não sobra nada no processo”, afirmou a defesa, que também criticou a condução da investigação policial, apontando falhas na coleta de vestígios e contradições nos depoimentos.

Outro ponto levantado foi a ausência de comprovação pericial de violência sexual, com base em atendimentos médicos que, segundo os advogados, não teriam registrado lesões na região íntima da vítima. A defesa também argumentou que não houve intenção de matar, destacando que os acusados permaneceram cerca de quatro horas com a vítima e, se quisessem, teriam tido meios para consumar o homicídio.

No caso de Cassanelli, a advogada destacou um suposto menor envolvimento e mencionou o histórico de uso de drogas e internações como fatores a serem considerados na dosimetria da pena.

Acusação rebate e aponta misoginia na linha defensiva

Em sua manifestação, o promotor de Justiça Heráclito Mota Barreto Neto reagiu com firmeza às teses apresentadas pela defesa, classificando como inaceitável a tentativa de descredibilizar a vítima.

“Não dá para ficar em paz com o que foi dito aqui. Culparam a vítima, colocaram em dúvida a palavra dela e chegaram a afirmar que mãe e filha mentiram”, criticou.

O promotor destacou que a jovem relatou a violência ainda no hospital, onde deu entrada em estado grave, com diversos ferimentos. Segundo ele, os registros médicos confirmam as agressões sofridas.

Barreto Neto também chamou atenção para contradições nos depoimentos dos próprios réus ao longo do processo e para trechos em que ambos admitem agressões. “Se desconsiderarem a palavra da vítima, ainda restam as declarações dos próprios acusados e os laudos médicos de uma jovem que chegou à beira da morte”, afirmou.

Outro ponto enfatizado foi a existência de dolo — a intenção de matar —, sustentada, segundo o Ministério Público, por ameaças verbais e pela violência aplicada em regiões vitais do corpo da vítima, como cabeça e tórax.

O promotor ainda criticou a tentativa de justificar o crime pelo uso de drogas. “Os três estavam sob efeito de substâncias, mas apenas a vítima está sendo responsabilizada”, pontuou.

Encerrando sua fala, fez um apelo aos jurados: “A vítima não pode ser culpada pelo que sofreu. Precisamos romper esse ciclo e mostrar que, em Encantado, se faz justiça contra a violência à mulher”.

Condenados

Por volta das 22h30min, o julgamento foi interrompido para um intervalo. Na sequência, foram retomados os trabalhos com a tréplica da defesa. A sessão foi concluída na madrugada de terça-feira, após horas de debates intensos entre acusação e defesa. Após mais de 20 horas de juri, a sentença foi proferida e os réus Hélio Henrique Santos Hennika, foi condenado a 51 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão pelos crimes de tentativa de feminicídio, sequestro e estupro coletivo. Já Bruno Cassanelli recebeu pena de 43 anos, 9 meses e 10 dias pelos mesmos crimes.

Após a decisão, as defesas indicaram que irão recorrer.

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