Política

Lula ameaça expulsar agentes americanos após EUA removerem delegado da PF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ameaçou nesta terça-feira (21) expulsar agentes dos Estados Unidos em serviço no Brasil como medida de reciprocidade. A declaração foi feita após o governo norte-americano determinar a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, que atuou na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem na semana passada.

“Fui informado hoje de manhã, acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa”, disse Lula a jornalistas em Hannover, na Alemanha, onde cumpre agenda oficial.

Delegado foi pego de surpresa

O delegado Carvalho foi informado de que deveria deixar o país por supostamente “contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas” em território norte-americano. Fontes afirmam que a Polícia Federal e o governo brasileiro foram pegos de surpresa com a decisão.

O agente está há mais de dois anos em missão nos Estados Unidos e atua na identificação de foragidos brasileiros, fazendo atividade de cooperação policial com 34 países. A expectativa é de que ele chegue ao Brasil até o final do dia.

Governo americano acusa perseguição política

A ordem para a saída foi divulgada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos. Sem citar nomes, o comunicado acusou uma autoridade brasileira de tentar “contornar pedidos formais de extradição” para promover “perseguições políticas”.

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”, diz a nota oficial.

Tensão pode afetar relação bilateral

O episódio tem potencial para desencadear uma nova crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, reacendendo tensões em uma relação que ensaiava aproximação. A medida é vista por integrantes do governo brasileiro como uma afronta ao Estado brasileiro e às decisões do Supremo Tribunal Federal.

O ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, afirmou que ainda não houve confirmação oficial sobre a expulsão e que a medida “não tem fundamento”. Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pelo STF por participação na chamada trama golpista.

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