Política

Gilmar Mendes pede investigação contra Romeu Zema por vídeo deep fake

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes enviou ao colega Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e pediu que ele seja incluído no inquérito das fake news. O procedimento tramita sob sigilo.

O pedido foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que ainda não se manifestou sobre o caso. A solicitação ocorre após a divulgação de um vídeo com inteligência artificial publicado nas redes sociais do ex-governador.

Vídeo satiriza ministros do STF

O material divulgado por Zema mostra uma conversa fictícia entre bonecos que representam Gilmar Mendes e Dias Toffoli. No roteiro, o fantoche atribuído a Toffoli pede que o outro anule quebras de sigilo aprovadas pela CPI do Crime Organizado do Senado.

Em troca, o personagem que representa Gilmar cobra: “só uma cortesia lá do teu resort que tá pago. Tô a fim de dar uma jogadinha essa semana”, fazendo referência ao resort Tayayá, que pertencia a Dias Toffoli e foi comprado por um fundo ligado a Daniel Vorcaro.

Ministro alega ataque à honra

Na ação, Mendes alega que Zema fere a “honra e imagem” do próprio ministro e do Supremo Tribunal. “Valendo-se de sofisticada edição profissional e de avançados mecanismos de ‘deep fake’, o vídeo emula vozes de ministros da Suprema Corte”, afirmou o magistrado.

Segundo Gilmar, o material tem “claro intuito de vulnerar a higidez desta instituição da República, com objetivo de realizar promoção pessoal”. O ministro protocolou o pedido no dia 5 de março.

Escalada de críticas ao STF

Nas últimas semanas, Zema elevou o tom contra o Supremo em discursos e entrevistas, já como pré-candidato à Presidência. Em evento realizado em 13 de abril, ele disse: “O STF era um lugar que nós tínhamos uma certa confiança, mas já estava cheirando mal há alguns anos. Agora, realmente, aflorou toda a podridão que está lá dentro”.

O ex-governador também citou Moraes e Toffoli ao defender punições mais duras a ministros. Na semana passada, afirmou que eles “não merecem só impeachment, eles merecem prisão”.

Embate público entre os dois

Gilmar e Zema já trocaram críticas nas redes sociais após declarações do ex-governador contra o STF. O ministro lembrou que Zema acionou a Corte para adiar parcelas da dívida de Minas Gerais com a União.

Zema respondeu dizendo que a decisão do STF não poderia ser tratada como moeda de troca política. “Ele deu uma decisão favorável a Minas Gerais, e agora descobri que foi um favor para eu ser submisso a ele pelo resto da vida”, afirmou o político.

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