Economia

Carne bovina sobe 15,41% no RS, o triplo da inflação

A carne bovina segue pressionando o orçamento das famílias gaúchas com alta de 15,41% em 12 meses no Rio Grande do Sul, comparando abril de 2026 com o mesmo período de 2025. O aumento é mais que o triplo da inflação nacional, que acumulou 4,14% até março pelo IPCA.

Os dados são da pesquisa de preços no varejo realizada pelo Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte (NESPro) da UFRGS. Entre os cortes analisados, o vazio disparou na liderança com alta de 23,40% no período.

Cortes mais caros

Além do vazio, a carne moída de primeira e a costela também registraram altas significativas. Os aumentos mais moderados ficaram com contrafilé, picanha e carne moída de segunda, conhecida como guisado.

O coordenador do NESPro, professor Júlio Barcellos, explica que a alta resulta de múltiplos fatores: recomposição de preços após períodos de baixa, problemas climáticos recentes e aumento da demanda internacional.

Importação pressiona preços

Barcellos destaca que o Rio Grande do Sul importa carne de outros estados, o que agrava a situação: “Como o boi no Brasil Central subiu mais do que no Rio Grande do Sul, houve uma majoração no preço da carne maior do que a valorização do boi aqui no Estado”.

O economista André Braz, da FGV, confirma que a pressão nos preços está alinhada com o ciclo pecuário brasileiro atual. “Estamos numa fase de retenção de fêmeas: o produtor reduz o abate de matrizes para recompor o rebanho, diminuindo a oferta no curto prazo”, explica.

Consumidores se adaptam

Com os preços em alta, consumidores repensam suas compras. A aposentada Nilza Moreira, 73 anos, passou a optar por cortes sem osso para otimizar o orçamento familiar.

A demanda externa aquecida e o consumo interno “relativamente resiliente” limitam quedas de preço, segundo Braz, mantendo a pressão sobre o bolso dos gaúchos.

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