Endividamento das famílias bate recorde histórico e atinge 49,9%
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 49,9% em fevereiro de 2026, estabelecendo novo recorde histórico desde o início da série do Banco Central em janeiro de 2005. O aumento foi de 0,1 ponto percentual em relação a janeiro, igualando o pico anterior registrado em julho de 2022.
O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas também bateu recorde, chegando a 29,7% em fevereiro. O indicador subiu 0,2 ponto percentual no mês e 1,9 ponto percentual em 12 meses, segundo dados divulgados pelo BC nesta segunda-feira (27).
Crédito caro pressiona famílias
As famílias brasileiras seguem pressionadas pelo crédito caro e recorrem a modalidades de curto prazo, como o cartão de crédito. A taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas permaneceu elevada em 61,5% ao ano em março, apesar do recuo mensal de 0,4 ponto percentual.
O cartão de crédito rotativo registrou taxa de 428,3% ao ano em março, mesmo com redução de 7,6 pontos percentuais no mês. Mesmo com o custo elevado, o volume concedido segue em expansão: foram R$ 109,7 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
Inadimplência em alta
A inadimplência das famílias chegou a 5,3% em março, com avanço de 1,4 ponto percentual em 12 meses. No Sistema Financeiro Nacional como um todo, a taxa ficou em 4,3%, com queda de 0,1 ponto percentual no mês, mas alta de 1,0 ponto percentual em um ano.
O saldo das operações de crédito às famílias alcançou R$ 4,5 trilhões, com alta mensal de 0,8% e expansão de 10,9% em 12 meses. O crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$ 21,0 trilhões, equivalente a 162,3% do PIB.
Impacto na política monetária
Os dados podem influenciar a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, que ocorrerá nesta quarta-feira (29). Na última reunião, houve corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 15% para 14,75%.
O governo estuda uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0, que prevê o uso de recursos do FGTS para facilitar acordos e reduzir o peso das dívidas no orçamento das famílias.






