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Qual é a 2.ª opção de voto dos brasileiros; e o que isso diz sobre a eleição presidencial

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Primeira pesquisa sobre a disputa presidencial divulgada em 2022, o levantamento do Instituto Quaest, além das intenções de voto tradicionais, também pediu aos eleitores qual seria a sua segunda a opção de candidato.

Nesse caso, em vez de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL) na frente, os mais citados foram o ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PDT), com 18%, seguido pelo ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro (Podemos), com 14%. Apesar dessa liderança como segunda opção, analistas dizem que, na verdade, os números mostram que isso não é bom para Ciro. Mas que pode ser para Lula, Moro e Bolsonaro.

Veja abaixo qual é a segunda opção de voto do brasileiro em todos os candidatos, segundo a pesquisa do Instituto Quaest:

  • Ciro Gomes (PDT): 18%
  • Sergio Moro (Podemos): 14%
  • Lula (PT): 8%
  • João Doria (PSDB): 6%
  • Bolsonaro (PL): 6%
  • Simone Tebet (MDB): 4%
  • Rodrigo Pacheco (PSD): 2%
  • Felipe D´Avila (Novo): 1%
  • Branco/Nulo: 33%
  • Indecisos: 9%

De acordo com o levantamento do Instituto Quaest, se Lula não fosse candidato, 28% dos eleitores do petista votariam em Ciro Gomes. “Hoje a gente tem as candidaturas de Lula e de Bolsonaro consolidadas. O Ciro é opção natural de parte dos eleitores de Lula, mas ele não se viabiliza nos outros segmentos, como na terceira via. Dificilmente ele vai crescer tendo Lula, líder nas pesquisas, como o seu principal adversário”, diz o analista político Lucas Fernandes, cientista político pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para ele, cenário atual não viabiliza a candidatura do pedetista.

Na mesma linha, Felipe Nunes, CEO do Instituto Quaest, também vê dificuldades para o pré-candidato pedetista crescer nas pesquisas. “Ser a segunda opção, no caso de Ciro, só demonstra a dificuldade que ele terá de convencer o eleitor de deixar de votar em Lula e passar a votar nele. Quem vota no Ciro tem no Lula a sua segunda opção. Ou seja, se o Ciro sair do jogo, Lula ganha mais votos”, afirma Nunes.

Para o CEO do Quaest, o eleitor do Ciro é o que mais facilmente escolhe um segundo nome. “Só 16% dos eleitores do Ciro vão para branco e nulo [como segunda opção]. É como se a gente dissesse que o eleitor do Ciro está preparado para votar em um segundo nome. Junto com o [João] Doria (PSDB), são as menores taxas. Os eleitores não acreditam que Ciro e Doria vão se viabilizar e estão prontos para escolher um segundo nome”, completa.

Segunda opção de voto pode beneficiar Moro e Bolsonaro

Citado como segunda opção de voto por 14% dos entrevistados, o ex-juiz Sergio Moro (Podemos), é o nome que mais se beneficiaria de uma eventual desistência do presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesse caso, 24% dos eleitores do atual presidente passariam a votar em Moro como segunda alternativa.

Diferente de Ciro Gomes, o cientista político Lucas Fernandes acredita que o espaço político para Moro é maior. “O Ciro não consegue romper o campo do Lula e também não atrai a terceira via. No caso do Moro, o ex-ministro pode crescer no seu grupo e ainda atrair uma parte do eleitor do presidente Bolsonaro, o que poderia levar sua candidatura ao segundo turno”, diz Fernandes.

Já Felipe Nunes analisa que, tanto Moro quanto Bolsonaro podem se beneficiar do chamado “voto útil” no primeiro turno. “Se o governo Bolsonaro piorar sua avaliação, e se Moro aumentar suas chances de vencer Lula no segundo turno, não descarto que haja voto útil na reta final da eleição em favor de Moro”, afirma.

Para o CEO do Instituto Quaest, no entanto, o inverso também pode ser observado. De acordo com a pesquisa, 22% dos eleitores de Moro escolheriam Bolsonaro como segunda opção de voto. “Bolsonaro, por outro lado, pode viver o mesmo fenômeno. Eleitores de Moro que querem derrotar o PT podem se juntar em torno de Bolsonaro para fortalecê-lo. Esses números dão alguns sinais de como pode ser esse voto estratégico na reta de chegada da eleição, diz Nunes.

Apesar da “demanda”, terceira via enfrenta dificuldades de pautar problemas do País

O levantamento do Instituto Quaest também apurou que 26% dos eleitores não gostariam de eleger nem Lula nem Bolsonaro, nomes que lideram nas intenções de voto.

Para o analista político Lucas Fernandes, isso mostra que ainda existe espaço para um nome da terceira via. “Esse dado mostra que existe um potencial real para um terceiro candidato, mas o excesso de nomes da terceira via impede que um deles se destaque entre o eleitorado”, explica.

Na mesma linha, Felipe Nunes, do Instituto Quaest, afirma que existe uma demanda pela terceira via, mas que os nomes postos não conseguem apresentar soluções para os temas mais relevantes para o eleitor. De acordo com a pesquisa, pautas como corrupção, questões sociais, pandemia e economia são os principais problemas do país para os eleitores.

“O eleitor escolhe o candidato que na sua avaliação mais bem consegue resolver o problema que ele acredita ser o mais importante.  A economia ganhou protagonismo nos últimos seis meses e agora a pandemia está voltando a ter relevância. Quando a gente cruza o principal problema [economia] com a intenção de voto, a gente vê que 48% vota em Lula e 20% em Bolsonaro. Existe um espaço e uma demanda pela terceira via, mas ela não consegue decolar, na minha avaliação, muito em função da incapacidade de se colocar como relevante para os temas que são importantes para a sociedade”, completa.

Além disso, Nunes acredita que falta coordenação no grupo da terceira via. “É um problema clássico de coordenação política. Existe uma demanda clara para que a terceira via se consolide, mas com tantas opções apresentadas, é um cardápio tão grande que cada um dos clientes vai para um lugar. Ou seja, Ciro, Moro, Doria e outros têm o desafio de coordenar suas ações políticas.”

Metodologia da pesquisa

A pesquisa do Instituto Quaest, encomendada pelo Banco Genial, foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00075/2022. O levantamento ouviu 2 mil eleitores entre os dias 6 e 9 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos; e o nível de confiança é de 95%.

Fonte: Gazeta do Povo

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